Hábitos e cuidados

Alimentação e saúde capilar: o que o cabelo precisa do seu prato

O folículo capilar é uma das estruturas que se multiplicam mais rápido no corpo. Para produzir fio todos os dias, ele precisa de matéria-prima e de energia. Quando falta algo, o organismo prioriza órgãos vitais, e o cabelo, que não é essencial para a sobrevivência, está entre os primeiros a sentir. É por isso que a alimentação aparece com tanta frequência na investigação da queda.

Do que o cabelo é feito?

O fio é formado principalmente por queratina, uma proteína. Para produzi-la, o folículo precisa de proteína da alimentação e de vários cofatores, como ferro, zinco e vitaminas. Ele também depende de boa circulação e de energia suficiente, o que explica por que dietas com muito pouca caloria afetam o cabelo.

Quais nutrientes mais importam para o cabelo?

NutrientePor que importaOnde encontrar
ProteínaMatéria-prima da queratinaCarnes, ovos, peixes, laticínios, feijões, lentilha, grão-de-bico, tofu
FerroParticipa da oxigenação e da multiplicação das células do folículoCarnes vermelhas, fígado, feijões, lentilha, folhas verde-escuras
ZincoParticipa da produção e do reparo dos tecidosCarnes, frutos do mar, sementes de abóbora, castanhas, leguminosas
Vitamina DParticipa do ciclo do folículo; níveis baixos aparecem em alguns quadros de quedaExposição ao sol, peixes gordos, ovos
Vitamina B12Formação das células do sangueAlimentos de origem animal; atenção em dietas veganas

Uma dica prática: o ferro dos vegetais é mais bem absorvido quando a refeição tem uma fonte de vitamina C, como laranja, acerola, limão ou tomate. Café e chá logo depois da refeição atrapalham a absorção.

Dietas restritivas e queda de cabelo

Perda de peso rápida, dietas com muito pouca caloria ou pouca proteína e cortes radicais de grupos de alimentos estão entre os gatilhos clássicos do eflúvio telógeno: uma queda intensa e difusa que aparece dois a três meses depois do início da dieta. Veja eflúvio telógeno.

Isso não significa que não se pode emagrecer. Significa que o emagrecimento deve ser gradual, com proteína suficiente e, de preferência, com acompanhamento de um nutricionista. O mesmo vale para quem passou por cirurgia bariátrica, que pede atenção redobrada a ferro, zinco, B12 e proteína.

Suplementos: quando fazem sentido?

Suplementos "para cabelo" são muito vendidos, mas a lógica é simples: eles ajudam quando falta alguma coisa. As revisões científicas sobre o tema mostram que:

  • em quem tem deficiência comprovada, como de ferro ou vitamina D, corrigir a falta faz parte do cuidado;
  • em quem não tem deficiência, não há boa evidência de que vitaminas façam o cabelo crescer mais;
  • o excesso de alguns nutrientes, como vitamina A e selênio, está associado à queda de cabelo;
  • a biotina em doses altas pode alterar exames de sangue, inclusive os de tireoide.

Por isso, antes de suplementar, vale investigar. Veja exames para queda de cabelo. A reposição de deficiências é feita com orientação médica ou nutricional.

Um prato que sustenta o cabelo

Sem receitas milagrosas, o que funciona é o básico bem feito:

  • proteína em todas as refeições principais;
  • feijão, lentilha ou grão-de-bico com frequência, acompanhados de uma fonte de vitamina C;
  • verduras verde-escuras, frutas e legumes variados;
  • castanhas e sementes como lanche;
  • peixes algumas vezes na semana, se fizer parte da sua alimentação;
  • água ao longo do dia.

E o que não ajuda

  • pular refeições e ficar longos períodos sem comer de forma não planejada;
  • dietas da moda que cortam grupos inteiros sem substituição;
  • suplementos combinados por conta própria, com doses que se somam;
  • esperar que a alimentação resolva sozinha uma queda que tem outra causa, como a alopecia androgenética.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se a queda começou depois de uma dieta, de uma cirurgia bariátrica ou de uma mudança grande na alimentação, se você é vegetariana ou vegana sem acompanhamento, ou se há cansaço, palidez e unhas fracas junto com a queda. Nesses casos, a investigação de deficiências costuma ser o primeiro passo.

Em resumo

O cabelo precisa de proteína, ferro, zinco e vitaminas para ser produzido, e sente rápido quando falta. Uma alimentação variada sustenta os fios; dietas radicais podem derrubá-los. Suplemento é para corrigir falta, e não para dar "reforço". Para completar o cuidado, veja cuidados capilares em casa.

Perguntas frequentes

Nenhuma vitamina resolve a queda sozinha. Suplementos ajudam quando existe uma deficiência, como de ferro ou vitamina D, identificada em exame. Sem deficiência, não há benefício comprovado, e o excesso de alguns nutrientes pode até causar queda.

A falta de biotina é rara em quem se alimenta normalmente, e não há boa evidência de benefício da biotina para o cabelo de quem não tem deficiência. Em doses altas, ela ainda pode alterar exames de sangue.

Dietas muito restritivas, com pouca proteína ou perda de peso rápida, estão entre os gatilhos do eflúvio telógeno, a queda que aparece meses depois. Emagrecer com acompanhamento e sem cortes radicais protege o cabelo.

Não necessariamente. Uma alimentação vegetariana bem planejada fornece o que o cabelo precisa. A atenção maior é para ferro, zinco, vitamina B12 e proteína suficiente, de preferência com acompanhamento nutricional.

Referências

  1. Diet and hair loss: effects of nutrient deficiency and supplement use. Dermatology Practical & Conceptual, 2017
  2. The Role of Vitamins and Minerals in Hair Loss: A Review. Dermatology and Therapy, 2019
  3. Iron deficiency anaemia. NHS
  4. Vitamin D. NHS

Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender o que acontece com os seus fios. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você tem queda intensa, falhas, dor, feridas ou sintomas no corpo, procure atendimento.

Primeiro passo

Vamos entender o que os seus fios estão dizendo

A avaliação começa com uma conversa e a tricoscopia do couro cabeludo.