Exames para queda de cabelo: ferro, vitamina D, tireoide e o que mais investigar
Quando o cabelo começa a cair, uma das primeiras perguntas é: "que exame eu faço?". A resposta honesta é: depende. Os exames de sangue procuram causas internas de queda, e algumas das mais comuns não aparecem no sangue. Mesmo assim, quando bem indicados, eles encontram causas frequentes e tratáveis, que mudam completamente o cuidado.
Este artigo explica para que serve cada exame. A solicitação e a interpretação de exames laboratoriais, e o tratamento de qualquer alteração encontrada, são feitos pelo médico.
Quando os exames fazem sentido?
Os exames entram na investigação quando a história ou a avaliação sugerem uma causa interna:
- queda difusa, na cabeça toda, sem gatilho claro;
- queda que não melhora depois de alguns meses;
- sintomas no corpo, como cansaço, palidez, falta de ar aos esforços, palpitações, intolerância ao frio, pele seca, alterações na menstruação;
- dietas restritivas, vegetarianismo sem acompanhamento, cirurgia bariátrica ou menstruação muito intensa;
- pós-parto e menopausa.
Quais exames costumam ser investigados?
Hemograma
Mostra os glóbulos vermelhos e ajuda a identificar anemia. Queda de cabelo, cansaço e palidez podem andar juntos.
Ferritina e ferro
A ferritina reflete o estoque de ferro do corpo. Ela pode estar baixa mesmo antes de a anemia aparecer no hemograma. A deficiência de ferro é uma das deficiências nutricionais mais comuns no mundo, especialmente em mulheres que menstruam, e está associada à queda de cabelo em vários estudos. A relação exata ainda é discutida na literatura, mas é uma causa que vale investigar, porque tem correção.
Um detalhe: a ferritina também sobe em inflamações e infecções, e por isso é interpretada junto com outros exames.
Função da tireoide
Geralmente TSH e T4 livre. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar queda difusa e mudanças na textura do cabelo. São alterações comuns, principalmente em mulheres, e tratáveis.
Vitamina D
Níveis baixos de vitamina D aparecem com frequência em pessoas com alopecia areata e alopecia androgenética em alguns estudos, mas ainda não está claro se a falta de vitamina D causa a queda ou se é apenas uma associação. É um exame comum na investigação, e a reposição, quando indicada pelo médico, segue as recomendações para a saúde geral.
Zinco e vitamina B12
Pedidos conforme o caso, principalmente em pessoas com alimentação restritiva, vegetarianas ou veganas, cirurgia bariátrica ou uso de algumas medicações.
Hormônios
Quando há sinais de excesso de hormônios masculinos, como menstruação irregular, acne persistente e aumento de pelos no rosto e no corpo, o médico pode investigar hormônios e condições como a síndrome dos ovários policísticos. Veja alopecia androgenética feminina.
O que os exames não mostram
Muitas causas de queda não aparecem no sangue:
- alopecia androgenética, o afinamento hereditário dos fios;
- eflúvio telógeno por estresse, febre, cirurgia ou parto, quando o gatilho já passou;
- inflamação do couro cabeludo, como a dermatite seborreica;
- quebra dos fios por química e calor.
Por isso, um exame normal não encerra a investigação. A tricoscopia digital e a conversa detalhada são parte central do diagnóstico da causa.
Cuidado com os suplementos por conta própria
É tentador começar vitaminas "para cabelo" antes mesmo dos exames. Três problemas:
- Suplemento só ajuda quando falta. Se não há deficiência, não há benefício comprovado para o cabelo.
- Excesso também causa queda. Doses altas de vitamina A e de selênio, por exemplo, estão associadas à queda de cabelo.
- A biotina atrapalha exames. Em doses altas, ela interfere no resultado de vários exames de sangue, inclusive os de tireoide. Se você usa, avise antes da coleta.
Como fica o cuidado depois dos exames?
Se os exames mostram uma alteração, ela é tratada pelo médico, e o cabelo costuma responder quando a causa é corrigida, no ritmo do ciclo capilar. Enquanto isso, a tricologia cuida do couro cabeludo e acompanha a recuperação.
Se os exames vêm normais, a investigação segue pelo couro cabeludo: a avaliação define se o quadro é de afinamento, inflamação, quebra ou eflúvio, e o protocolo é montado a partir daí.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação se a queda passa de três meses, se o cabelo está visivelmente mais ralo ou se há sintomas no corpo. Se houver cansaço intenso, falta de ar, palpitações ou perda de peso sem explicação, procure o médico primeiro.
Em resumo
Hemograma, ferritina e tireoide estão entre os exames mais úteis na queda de cabelo, porque encontram causas comuns e tratáveis. Mas eles contam só parte da história: a outra parte está no couro cabeludo, e é por isso que exame e avaliação andam juntos.
Perguntas frequentes
Referências
- The Role of Vitamins and Minerals in Hair Loss: A Review. Dermatology and Therapy, 2019
- The diagnosis and treatment of iron deficiency and its potential relationship to hair loss. Journal of the American Academy of Dermatology, 2006
- Underactive thyroid (hypothyroidism): symptoms. NHS
- Hair loss: Diagnosis and treatment. American Academy of Dermatology
- Association of Alopecia Areata with Vitamin D and Calcium Levels: A Systematic Review and Meta-analysis. Dermatology and Therapy, 2020
Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender o que acontece com os seus fios. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você tem queda intensa, falhas, dor, feridas ou sintomas no corpo, procure atendimento.