Queda de cabelo

Quebra ou queda de cabelo: como diferenciar e o que fazer em cada caso

"Meu cabelo está caindo muito" é uma das frases mais ouvidas no consultório. Mas, às vezes, quando olhamos os fios, a surpresa: eles não caíram, quebraram. Parece só um detalhe de vocabulário, mas a diferença muda tudo, da causa ao cuidado.

Qual a diferença entre quebra e queda?

O fio de cabelo tem duas partes:

  • a raiz, dentro do folículo, embaixo da pele, que é a parte viva, onde o fio é produzido;
  • a haste, a parte que vemos, que é formada por queratina e não tem mais células vivas.

Queda é quando o fio sai inteiro, da raiz. Pode ser parte do ciclo normal ou sinal de algo acontecendo no folículo, como um eflúvio telógeno ou a alopecia androgenética.

Quebra é quando a haste parte em algum ponto do comprimento. O folículo continua trabalhando normalmente: o problema está no fio já formado, que ficou frágil.

Como fazer o teste em casa?

Separe alguns fios que saíram na escova ou no ralo e olhe com calma, sob boa luz:

O que observarQuedaQuebra
Ponta de baixoBolinha branca ou translúcida (o bulbo)Sem bulbo, corte reto ou desfiado
ComprimentoFio inteiro, do tamanho do cabeloPedaços curtos, de tamanhos variados
Onde apareceNo ralo, no travesseiro, na escovaMais na escova e no chão, em pedacinhos
Aparência do cabeloMenos volume na raiz, risca mais abertaPontas ralas, comprimento irregular, "arrepiado"

Muita gente tem as duas coisas ao mesmo tempo. Na dúvida, a tricoscopia digital mostra a haste de perto, com sinais de dano que não aparecem a olho nu.

O que causa a quebra do cabelo?

A haste é protegida por uma camada externa, a cutícula, formada por escamas sobrepostas, como telhas. Quando ela se desgasta, o interior do fio fica exposto e perde resistência. Os principais responsáveis:

  • Descoloração e mechas. Clarear o fio depende de abrir a cutícula e alterar a estrutura interna. Repetido, deixa o fio poroso e fraco.
  • Alisamentos e progressivas, principalmente em sequência, com calor alto da prancha e intervalos curtos. Alisamentos com formol, além de danificar os fios, trazem riscos à saúde de quem aplica e de quem recebe.
  • Calor: chapinha e secador em temperatura alta, principalmente no fio molhado.
  • Atrito: escovar com força, pentear o cabelo molhado com escova de cerdas duras, dormir com o cabelo preso ou em fronhas ásperas.
  • Química sobre química: tintura em cima de progressiva, descoloração sobre alisamento.
  • Sol, cloro e sal, que ressecam e desgastam a cutícula.

Um sinal de alerta: o cabelo elástico. Molhado, o fio estica como borracha e não volta; seco, parte ao menor toque. É sinal de dano profundo, e pede pausa imediata nas químicas.

Quando a "quebra" é, na verdade, queda por tração

Existe uma exceção importante. Penteados que puxam a raiz por muito tempo, como rabo de cavalo apertado, coques, tranças muito presas, apliques e megahair pesados, podem causar a alopecia por tração. Nela, os fios caem da raiz, principalmente na linha da testa e nas têmporas.

No início, é reversível: basta aliviar a tração. Mas se ela se mantém por anos, o folículo pode ser danificado de forma permanente. Se você nota as têmporas ralas e usa penteados presos com frequência, vale mudar o hábito e buscar avaliação.

Como cuidar do cabelo que quebra?

  1. Dê uma pausa na química e no calor alto. Espaçar os procedimentos é o cuidado mais eficaz.
  2. Hidrate e nutra os comprimentos com condicionador em toda lavagem e máscaras na frequência indicada.
  3. Desembarace com delicadeza, das pontas para a raiz, com pente de dentes largos e o fio com condicionador.
  4. Proteja do calor: temperatura mais baixa, protetor térmico e secador a alguns centímetros do fio.
  5. Corte as pontas danificadas: fio partido não "cola" de volta.
  6. Cuide do couro cabeludo, porque o fio novo que nasce saudável é o que vai substituir o danificado. Veja cuidados capilares em casa.

E se for queda?

Se o teste mostrou bulbos, o caminho é investigar a causa no folículo. Comece pelo artigo queda de cabelo: quanto é normal cair e quando investigar, e veja também afinamento dos fios, porque fio fino quebra com mais facilidade e os dois problemas costumam se somar.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se não souber diferenciar quebra de queda, se o volume da raiz diminuiu, se as têmporas estão ralas, se há coceira, ardência ou feridas no couro cabeludo depois de química, ou se o cabelo não melhora mesmo com pausa e cuidados.

Em resumo

Quebra é dano na haste; queda é o fio saindo da raiz. Olhar a ponta do fio já responde boa parte da dúvida. Quebra se resolve com pausa, proteção e cuidado dos comprimentos. Queda pede investigação da causa no couro cabeludo.

Perguntas frequentes

Pegue alguns fios que saíram e olhe a ponta. Fio com uma pequena bolinha branca na ponta caiu da raiz. Fio sem essa ponta, mais curto e às vezes com a ponta desfiada, quebrou.

É um sinal de dano importante na haste, comum depois de descoloração ou química em sequência. O fio estica, não volta ao tamanho e parte com facilidade. Pede pausa nas químicas e cuidado de reconstrução.

Na maioria das vezes, a progressiva causa quebra, e não queda da raiz. Mas produtos irritantes podem inflamar o couro cabeludo, e química em sequência, com calor alto, deixa os fios muito frágeis.

Pode. A tração repetida, com penteados muito presos, tranças apertadas ou apliques pesados, pode causar a alopecia por tração, que afina a linha da testa e as têmporas e, com o tempo, pode ficar permanente.

Referências

  1. Hair Cosmetics: An Overview. International Journal of Trichology, 2015
  2. 10 hair care habits that can damage your hair. American Academy of Dermatology
  3. How to stop damaging your hair. American Academy of Dermatology
  4. Cuidados com os cabelos. Sociedade Brasileira de Dermatologia

Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender o que acontece com os seus fios. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você tem queda intensa, falhas, dor, feridas ou sintomas no corpo, procure atendimento.

Primeiro passo

Vamos entender o que os seus fios estão dizendo

A avaliação começa com uma conversa e a tricoscopia do couro cabeludo.