Queda de cabelo

Queda de cabelo: quanto é normal cair e quando investigar

Encontrar fios no travesseiro, no ralo ou na escova assusta. Mas nem toda queda é um problema: o cabelo se renova o tempo todo, e cair faz parte desse processo. A pergunta certa não é "meu cabelo está caindo?", e sim "está caindo mais do que deveria, e por quê?".

Quanto cabelo é normal cair por dia?

A referência mais usada pelas sociedades de dermatologia é de 50 a 100 fios por dia. Parece muito, mas temos em torno de 100 mil fios na cabeça, e cada um está numa fase diferente do ciclo.

Alguns detalhes mudam a percepção:

  • No dia da lavagem, saem de uma vez fios que já estavam soltos. Quem lava o cabelo menos vezes na semana tende a ver mais fios em cada lavagem.
  • Cabelos longos fazem a queda parecer maior, porque cada fio ocupa mais espaço no ralo.
  • Cabelos cacheados e crespos seguram os fios soltos entre os cachos, que só aparecem ao pentear.

Por que o cabelo cai? O ciclo do fio

Cada fio nasce de um folículo e passa por três fases:

  1. Anágena, a fase de crescimento. Dura de dois a sete anos. A maior parte dos fios está nela.
  2. Catágena, a transição. Dura poucas semanas: o folículo para de produzir o fio.
  3. Telógena, o repouso. Dura cerca de três meses. No fim dela o fio cai, e um novo começa a crescer no mesmo folículo.

Como os fios não estão todos na mesma fase, a queda normal é contínua e discreta. O problema começa quando algo desregula esse ciclo.

Queda ou quebra?

Antes de tudo, vale olhar o fio. Fio que caiu da raiz costuma ter uma pequena ponta esbranquiçada, o bulbo. Fio quebrado não tem essa ponta e costuma ser mais curto, partido no meio do comprimento. A quebra está ligada a química, calor e atrito, e se trata de outro jeito. Explicamos a diferença em detalhes em quebra ou queda de cabelo: como diferenciar.

Quais são as causas mais comuns de queda?

A queda é um sintoma, e as causas são muitas. As mais frequentes no consultório são:

CausaComo costuma aparecer
Eflúvio telógenoQueda difusa e intensa, dois a três meses depois de febre, cirurgia, parto, dieta restritiva ou estresse
Alopecia androgenéticaAfinamento progressivo no topo (mulheres) ou entradas e coroa (homens), sem queda súbita
Deficiências e alterações hormonaisQueda difusa ligada a ferro baixo, tireoide, pós-parto ou menopausa
Alopecia areataFalhas redondas e lisas que surgem de repente
Dermatite e inflamação do couro cabeludoCoceira, descamação e oleosidade, às vezes com queda associada
Quebra por dano químico ou térmicoFios curtos e partidos, sem bulbo

Cada uma tem seu próprio artigo aqui no blog: eflúvio telógeno, alopecia androgenética feminina, calvície masculina, alopecia areata e queda de cabelo pós-parto.

Quando a queda de cabelo merece investigação?

Procure uma avaliação quando notar qualquer um destes sinais:

  • queda acima do normal por mais de três meses;
  • rabo de cavalo mais fino, risca do cabelo mais larga ou couro cabeludo aparecendo sob a luz;
  • falhas redondas ou áreas sem cabelo;
  • coceira, ardência, dor, feridas ou vermelhidão no couro cabeludo;
  • queda acompanhada de cansaço, alterações na menstruação, perda de peso ou outros sintomas no corpo.

Os três últimos itens pedem atenção redobrada: falhas com pele lisa e dor ou feridas podem indicar quadros que precisam de diagnóstico médico, e sintomas no corpo sugerem uma causa interna. Nesses casos, a orientação é procurar também um médico, de preferência o dermatologista.

Como é feita a investigação?

A avaliação de tricologia começa por uma conversa longa, porque a história conta muito: o que aconteceu nos meses anteriores à queda, medicações, gestação, dietas, química, rotina de lavagem. Depois vem a tricoscopia digital, um exame indolor que amplia a imagem do couro cabeludo e mostra densidade, espessura dos fios e sinais de inflamação.

Quando a suspeita é de causa interna, entram os exames de sangue. Veja quais exames costumam ser pedidos na queda de cabelo.

O que evitar enquanto a causa não é conhecida?

Quando o cabelo começa a cair, a vontade é resolver rápido, e é aí que entram os atalhos que mais atrapalham:

  • Suplementos por conta própria. Vitaminas para cabelo só ajudam quando falta alguma coisa. Excesso de alguns nutrientes, como vitamina A e selênio, pode inclusive piorar a queda, e biotina em dose alta interfere em exames de sangue, incluindo os de tireoide.
  • Trocar de produto toda semana. Shampoo e tônico não curam a causa da queda, e a troca constante pode irritar o couro cabeludo.
  • Parar de lavar o cabelo por medo de ver os fios. Os fios que caem na lavagem já estavam soltos. Deixar de lavar acumula oleosidade e piora a inflamação.
  • Cortar o cabelo curto achando que ele vai cair menos. O corte muda a aparência dos fios no ralo, não a queda.
  • Esperar um ano para ver se passa. Algumas quedas passam sozinhas, outras avançam devagar. A diferença só aparece com avaliação.

Dá para prevenir a queda?

Nem toda queda é evitável, mas alguns cuidados ajudam o cabelo a atravessar melhor as fases difíceis:

  • alimentação com proteína, ferro e variedade suficientes, sem dietas muito restritivas. Veja alimentação e saúde capilar;
  • couro cabeludo limpo e sem inflamação, com lavagem na frequência que o seu tipo de cabelo pede. Veja cuidados capilares em casa;
  • menos tração, calor e química em sequência;
  • atenção aos sinais cedo: quanto antes a causa é identificada, mais fácil é agir enquanto o folículo está ativo.

Em resumo

Cair cabelo todos os dias é normal. O que merece atenção é a mudança: mais fios que o de costume por meses, menos volume, falhas ou sintomas no couro cabeludo. Nesses casos, investigar a causa é o primeiro passo, e é isso que define o tratamento certo.

Perguntas frequentes

Entre 50 e 100 fios por dia é considerado normal. Em dias de lavagem a contagem parece maior, porque saem de uma vez os fios que já estavam soltos.

Muitas pessoas percebem mais queda em algumas estações. Quando é leve e passa em poucas semanas, não costuma ser preocupante. Se dura mais de três meses, vale avaliar.

Na maioria das quedas, sim: o folículo continua vivo e produz um novo fio. A exceção são as alopecias cicatriciais, em que o folículo é destruído, e por isso falhas com pele lisa, vermelha ou dolorida precisam de avaliação rápida.

Pode causar. Um período de estresse intenso pode empurrar muitos fios para a fase de repouso ao mesmo tempo, e eles caem cerca de dois a três meses depois. É o chamado eflúvio telógeno.

Referências

  1. Do you have hair loss or hair shedding?. American Academy of Dermatology
  2. Queda de cabelos. Sociedade Brasileira de Dermatologia
  3. Hair loss. NHS
  4. Hair Loss: Diagnosis and Treatment. American Family Physician, 2024
  5. The Role of Vitamins and Minerals in Hair Loss: A Review. Dermatology and Therapy, 2019

Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender o que acontece com os seus fios. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você tem queda intensa, falhas, dor, feridas ou sintomas no corpo, procure atendimento.

Primeiro passo

Vamos entender o que os seus fios estão dizendo

A avaliação começa com uma conversa e a tricoscopia do couro cabeludo.