Queda de cabelo

Queda de cabelo pós-parto: por que acontece e quando passa

Muitas mulheres notam que o cabelo fica mais cheio e bonito durante a gravidez. Alguns meses depois do parto, a situação se inverte: os fios começam a cair em quantidade, no banho, na escova, no travesseiro. Em meio às noites mal dormidas, é mais uma preocupação. A boa notícia é que, na maior parte dos casos, essa queda tem explicação e costuma passar.

Por que o cabelo cai depois do parto?

Durante a gestação, as mudanças hormonais mantêm mais fios na fase de crescimento por mais tempo. Fios que cairiam normalmente ficam retidos, e o cabelo parece mais volumoso.

Depois do parto, os hormônios voltam aos níveis de antes, e esses fios retidos entram juntos na fase de repouso. Como o repouso dura cerca de três meses, a queda aparece meses depois do nascimento, e de uma vez. É um tipo de eflúvio telógeno, a queda que acontece depois de um evento que mexe com o organismo, e o parto é um dos maiores deles.

Quando começa e quando passa?

Segundo a Academia Americana de Dermatologia, a queda costuma atingir o pico por volta do quarto mês depois do parto, e a maioria das mulheres recupera o volume de antes até o primeiro aniversário do bebê.

Nem toda mulher tem essa queda, e a intensidade varia muito. Alguns pesquisadores, inclusive, discutem se ela é tão comum quanto se diz, e chamam atenção para outra possibilidade: às vezes o que parece "queda do pós-parto" é outro quadro que já existia e ficou evidente nessa fase.

Quando a queda pós-parto não é só pós-parto?

Vale investigar quando:

  • a queda passa do primeiro ano do bebê ou não diminui depois de seis meses;
  • o cabelo fica mais ralo no topo, com a risca alargando, e não volta ao volume de antes. Esse padrão sugere alopecia androgenética, que pode ter sido "desmascarada" pelo eflúvio do pós-parto;
  • aparecem falhas redondas ou áreas sem cabelo;
  • há cansaço fora do normal, palpitações, frio ou calor excessivo, alterações de humor. Deficiência de ferro e alterações de tireoide depois do parto são relativamente frequentes e também causam queda. Veja exames para queda de cabelo.

Nesses casos, a avaliação com tricoscopia ajuda a separar o que é eflúvio do que é outro processo.

O que ajuda enquanto a queda passa?

Alimentação. O pós-parto e a amamentação aumentam a necessidade de nutrientes. Proteína em todas as refeições, fontes de ferro e variedade no prato ajudam o organismo a se recuperar. Evite dietas restritivas para "perder a barriga" nesse período: elas são, por si, um gatilho de queda. Veja alimentação e saúde capilar.

Lavagem normal. Não deixe de lavar o cabelo por medo de ver os fios. Eles já estavam soltos e cairiam de qualquer forma. Um couro cabeludo limpo é um ambiente melhor para os fios novos.

Delicadeza com os fios. Rabo de cavalo apertado, coque puxado, chapinha e química em sequência pesam mais num cabelo que já está em fase de queda. Prefira penteados soltos e prendedores que não puxem.

Paciência com o crescimento. Os fios novos aparecem primeiro como uma "franjinha" curta na linha da testa. É um bom sinal, e eles levam meses para alcançar o comprimento do resto.

Posso tratar a queda enquanto amamento?

Com cuidado. Muitos ativos usados em tratamentos capilares não são indicados na gestação e na amamentação, e alguns procedimentos também não. Por isso, nada de produto por conta própria, inclusive os "naturais".

Na avaliação, olhamos o que pode ser feito com segurança nessa fase, como ajustes na rotina e nos produtos de uso diário, e o que deve esperar. Quando é preciso investigar causas internas, o acompanhamento é feito junto com o médico da mãe.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se a queda não diminuir depois de seis meses, se o volume não voltar até o primeiro ano do bebê, se aparecerem falhas, coceira ou dor, ou se houver sintomas no corpo. E também se a queda estiver pesando no seu emocional: entender o que está acontecendo já tira um peso.

Em resumo

A queda de cabelo depois do parto é comum, tem explicação hormonal e costuma passar ao longo do primeiro ano. O que merece atenção é o que foge desse roteiro: queda que não para, volume que não volta, falhas ou sintomas no corpo. Nesses casos, investigar cedo faz diferença.

Perguntas frequentes

A amamentação em si não é a causa. A queda vem da mudança hormonal depois do parto. O que pode pesar durante a amamentação é o cansaço, a alimentação desregulada e a falta de ferro, que valem atenção.

Em geral, alguns meses depois do nascimento, com pico por volta do quarto mês. Por isso muitas mulheres se assustam quando o bebê já está maiorzinho.

Há cuidados seguros, como ajustes na rotina de lavagem e nos produtos, mas vários ativos e procedimentos não são indicados na amamentação. Tudo é avaliado caso a caso, e em conjunto com o médico quando necessário.

Na maioria das mulheres, sim, ao longo do primeiro ano. Quando o volume não volta, é importante investigar outros quadros, como a alopecia androgenética, que às vezes fica mais evidente depois do parto.

Referências

  1. Hair loss in new moms: Dermatologist tips. American Academy of Dermatology
  2. Postpartum Telogen Effluvium Unmasking Additional Latent Hair Loss Disorders. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 2024
  3. The Postpartum Telogen Effluvium Fallacy. Skin Appendage Disorders, 2016
  4. Iron deficiency anaemia. NHS

Conteúdo informativo, escrito para ajudar você a entender o que acontece com os seus fios. Ele não substitui uma avaliação individual. Se você tem queda intensa, falhas, dor, feridas ou sintomas no corpo, procure atendimento.

Primeiro passo

Vamos entender o que os seus fios estão dizendo

A avaliação começa com uma conversa e a tricoscopia do couro cabeludo.